De olho no mainstream, o International 2019 de DotA vem à galope!

De olho no mainstream, o International 2019 de DotA vem à galope!

No início de julho, os olhos do planeta estavam voltados para o mundo do futebol. Com a Copa América das seleções masculinas sendo disputada em solo brasileiro, e a Copa do Mundo de futebol feminino colocando os melhores times do esporte frente a frente na França, era difícil desviar os olhares do desporto de onze contra onze batalhado entre quatro linhas de cal em gramados bem verdes.
Mas para tanto, existe um mundo de esportes bem além daquele que atrai o foco de bilhões de pessoas no mundo inteiro pela sua familiaridade e tradição. Principalmente entre alguns bolsões das gerações mais jovens, as habilidades físicas demonstradas no futebol e em outros esportes correlatos já não são tão atraentes assim. O que importa mais a eles é a demonstração de habilidade mental, intelectual e de destreza. Não em um campo, mas em um computador.
É assim que a indústria de eSports – em tradução literal, “esportes eletrônicos” – tem surgido, e também ficado cada vez maior desde sua concepção. Nos últimos anos, as audiências dos eventos têm crescido de forma exponencial. Junto a isso, vem também as receitas da indústria, e a atratividade de marcas que são normalmente associadas aos esportes tradicionais – casos de Red Bull, Coca-Cola e muitas outras empresas que veem os eSport como maneira de chegar a um público que era antes inalcançável. Até mesmo times de futebol, como o Schalke 04 da Alemanha, tem entrado na jogada!
E em agosto, chega aos palcos o que muitos consideram como a culminação anual da indústria. O International do jogo Dota 2, em sua nona edição a ser disputada em Shanghai, na China, vem aí!

Mas do que isso tudo se trata?


O jogo Dota 2 é um MOBA
– uma “arena de batalha multijogador online” – lançado em 2013 pela empresa de videogames Valve. A Valve é conhecida tanto pela plataforma de vendas de jogos online Steam, quanto pela qualidade de seus jogos. Até hoje, a mesma é reverenciada por desenvolver e publicar games como Half-Life, Portal e Left for Dead. E o mesmo vale para Dota 2, que é uma continuação espiritual de um mod – “modificação” – do jogo Warcraft III, da Blizzard.

O principal aspecto do MOBA é ser um jogo de estratégia e de ação em tempo real. O objetivo principal é destruir a base inimiga, encontrada no lado oposto de partida dos jogadores. No caso do Dota 2, são colocados frente a frente cinco jogadores em dois times diferentes, que batalham entre si para conseguir dinheiro que é utilizado para comprar itens que os ajudam a alcançar a vitória. Tal dinheiro é conquistado por meio de abates de oponentes, por matar monstros ou por destruir elementos do time adversário como torres e barracas.

E por que é tão importante?


Em janeiro de 2019, o Dota 2 possuía 11,19 milhões de jogadores ativos no mundo inteiro. Mas os fãs ávidos do eSport vão além dos jogadores do game, como mostra a audiência de quase 15 milhões de pessoas no último International. Isso associado ao crescente valor arrecadado para a premiação do próximo mundial.

No caso, a arrecadação é feita por meio de um pacote chamado de Battle Pass – ou “passe de batalha” – que inclui diversos melhoramentos estéticos. A Valve, que organiza o evento, deixa como ponto de partida uma quantidade de dinheiro que é sempre ultrapassada. Neste ano, não foi diferente. No dia 3 de julho, a Betway tinha chances de 2,05 para que a premiação alcançasse a incrível marca de mais de 30 milhões de dólares, frente aos 25,7 milhões já alcançados. Dessa enorme quantia, 24,1 milhões vieram do bolso dos fãs.

Em edições anteriores, as premiações já haviam alcançado marcas recordes. Fora do cenário de Dota 2, apenas a premiação de 6,4 milhões de dólares oferecida pelo seu principal rival do mercado de MOBAs, League of Legends, em seu mundial no ano passado chegou perto dos 10,4 milhões dados aos times que alcançaram o International há cinco anos atrás. Desde então, essa marca foi superada e a premiação total do evento chegou à 105,6 milhões de dólares em oito edições – 131,3 milhões se já incluirmos os números alcançados para a edição do mês que vem.

Logo já se vê o por que de marcas tão grandes estarem bem atentas ao cenário de eSport. As camisas dos principais times de Dota 2 são estampadas por grandes marcas, e até mesmo companhias de carro como Kia e Audi tem patrocinado campeonatos e times em outros jogos. Assim, o que era poderia ser antes considerado um mero nicho como o skate se transforma em algo bem maior.

E o mesmo pode ser dito da competição pelo torneio. O International se destaca por ser uma competição onde nunca houve repetições de campeões em suas oito edições até aqui. Ainda é possível encontrar grandes referências que firmam seus status de lendas acumulando troféus além do mundial de Dota 2. Ainda assim, a variância é uma das grandes marcas do torneio.

Esse é o futuro do entretenimento?

Talvez nem mesmo os pioneiros do cenário de eSports imaginavam que o mesmo alcançaria tamanha dimensão em tão pouco tempo. O que antes era algo de nicho principalmente no Oriente e em alguns cantos bem específicos do planeta, tem se tornado um fenômeno de massa no mundo inteiro.
Não é a toa que temos visto os eSports invadindo até mesmo as telas de televisão do Brasil. A SporTV transmite jogos do Campeonato Brasileiro de League of Legends, simultaneamente com a stream desses jogos nas plataformas Twitch e YouTube. Por conta das dimensões do país e também, claro, do sucesso do jogo, o CBLOL acaba sendo líder de audiência online e com números quase tão grandes quanto os carros-chefes do League of Legends no Ocidente, que são o campeonato norte-americano e europeu do eSport.
Enquanto isso, grandes portais de notícias têm se dedicado a cobrir o cenário nacional de eSports. ESPN e Globo entraram a fundo na jogada, e a tendência é que isso se estenda para outros meios de comunicação.

Além disso, os eSports são vistos como uma boa forma de se ganhar dinheiro pela internet. Os jogadores mais habilidosos e/ou divertidos destes jogos, e que não querem se dedicar ao ponto de virarem atletas, tem se esforçado em tirar frutos de transmissões por streaming onde arrecadam quantias relevantes de dinheiro por meio de doações e anúncios.

E no Dota 2, o Brasil pode novamente ter um representante nacional no International! A equipe Pain Gaming, reformulada após perderem os jogadores que levaram o time ao último evento para um time norte-americano, tem totais chances de voltarem à competição. Além também da FURIA Gaming, que espera duplicar a presença brasileira em Shanghai.
Para alguns, esses incrementos na atenção voltada aos eSports podem significar uma perda para os esportes tradicionais no longo prazo. Mas com certeza há um mundo onde ambos podem conviver em paz. Assim como diversos esportes podem conviver em harmonia em diferentes mercados, como mostra o cenário americano, esse também pode ser o caso dos eSports.
Logo, o mais sábio para aqueles que tem suas fichas nos esportes tradicionais não é simplesmente esmagar a competição insurgente, mas sim encontrar maneiras de aproveitar a nova onda. Alguns já aprenderam essa lição, e estão ajudando não só o cenário como eles mesmos ao elevarem a competição por jogos eletrônicos para algo além de nichos.

Tomé Ferreira

Graduando em TECNOLOGIA EM MULTIMÍDIA DIGITAL pela UNISUL Iniciei minha carreira como “Desenhista” de prancheta. Arte-finalizava tudo manualmente também fazendo trabalhos esporádicos de Jornalismo Social. Fundei o Portal Duniverso em 2009 iniciando de vez minha saga pelo jornalismo o qual me apaixonei. Vida inteligente na WEB.

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