Quadrilhas de tráfico humano mulheres são as preferidas

Quadrilhas de tráfico humano mulheres são as preferidas

Mulheres e crianças são as principais vítimas dos traficantes de pessoas, indica relatório da ONU, sendo que as primeiras são a maioria do total de escravos modernos.

Cerca de 79% dos casos de tráfico humano envolvem a escravidão sexual e 18% abrangem trabalho forçado, casamentos à revelia e remoção de órgãos.

As quadrilhas de tráfico humano (redes criminosas que traficam seres humanos) lucram até US$30 mil por pessoa aliciada. No ano, o montante chega a US$ 9 bilhões.
Hoje, o tráfico de seres humanos só perde em rentabilidade para o comércio ilegal de drogas e armas, porém, o estudo afirma que a venda de seres humanos é geralmente administrada por criminosos associados aos entorpecentes, segundo o UNODC.

Este flashmob produzido pela agência de comunicação Durval Guillaume Modem visando a conscientização das pessoas a respeito do tráfico humano praticado por quadrilhas, foi filmado na tradicional rua da prostituição em Amsterdam:

Para ilustrar o problema, a ONU fez uma comparação com o combate ao narcotráfico e constatou que a maioria dos países prioriza essa atividade, enquanto a luta contra o tráfico humano é negligenciada. Isso torna o problema cada vez mais grave em todo o mundo.
Em 2006, foram resgatadas apenas 21.400 vítimas de tráfico humano, o que não chega a 1% das 2,5 milhões de pessoas vítimas desse crime.

“A opinião pública está acordando para a realidade da escravidão moderna, mas muitos governos ainda a negam.”

EXEMPLO DA HOLANDA

Elas são jovens, solteiras, afrodescendentes, com baixa escolaridade e sonham com uma vida melhor. Esse é o perfil das brasileiras vítimas do tráfico de seres humanos na Holanda. Atraídas por promessas de emprego e bons salários, a maioria das mulheres acaba sendo obrigada a servir às redes de prostituição na Europa.

Luiz Sammartano


As principais rotas do tráfico de brasileiras para os Países Baixos partem da região amazônica, com escala no Suriname, país que faz fronteira com os estados do Pará e Amapá. Um relatório da ONG Fórum da Amazônia Oriental revela que das 241 rotas de tráfico de seres humanos identificadas no Brasil, 76 passam pela região Norte.

Os aliciadores são, em geral, homens entre 31 e 41 anos e com bom nível de escolaridade. Grande parte deles são empresários, que trabalham em bares, casas de shows, agências de encontro e até salões de beleza.

Abordagem

Marcos Elísio Viana, pastor da Comunidade Cristã em Amsterdã, há 12 anos presta assistência a brasileiras vítimas das redes de tráfico na Holanda e que o procuram, depois de conseguirem escapar dos exploradores. Ele explica como é a abordagem das quadrilhas no Brasil:

Turistas holandeses vão se hospedar em pousadas ou hotéis e ali, numa conversa informal, fazem convites tentadores. Eles oferecem trabalho em hotéis e empresas, o que parece irrecusável para pessoas que vivem em condições financeiras limitadas. Elas acabam aceitando o convite e quando chegam aqui, vêem que a realidade é outra.

Radicada em Roterdã há 34 anos, a enfermeira Bete Gomes trabalhou voluntariamente durante quatro anos com o encaminhamento de vítimas para o Brasil. Durante as conversas com as mulheres, muitas contavam à enfermeira que eram agredidas e mantidas em cárcere privado pelos exploradores: Elas ficam presas em casas e às vezes não sabem nem onde estão. Ficam sem passaporte e são obrigadas a se prostituir. Além disso, elas são maltratadas e obrigadas a se drogar, o que muitas meninas não querem fazer. Quando elas faziam sexo com um homem que se apaixonava por elas, muitas tinham a sorte de ser compradas por ele. O preço varia entre três mil a cinco mil euros. Após o pagamento, o aliciador entregava o passaporte e a menina estava livre.

 

Causas

Pobreza e falta de oportunidades são apontadas pela OIM como um estímulo à expansão do tráfico de seres humanos no mundo. Desde 1994 combatendo as redes internacionais, a entidade já providenciou assistência a cerca de 15 mil vítimas do tráfico de pessoas e implementou 500 projetos de reinserção em 85 países.

A quem recorrer em caso de tráfico, violência e exploração na Holanda:

– Consulado-Geral do Brasil em Roterdã – Stationsplein 45 A2.202 3013 AK,  Rotterdam – Tel. 31 0 10-206 2211 plantão: 06 5155 4836

– TAMPEP – International Foundation – Westermarkt 4 1016, DK Amsterdam – Tel. 31 20 624 71 49 – Fax: 31 20 624 65 29 –  Email: tampep@xs4all.nl

– CCA – Comunidade Cristã em Amsterdã – Postjesweg 150, Amsterdam – Tel. 31 20 616 26 38

– Brasileiros na Holanda – Telefone: + 31 (0) 633700533 – www.brasileirosnaholanda.com

Serviço

O governo brasileiro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a OIM criaram a cartilha Brasileiras e Brasileiros no Exterior – informações úteis, que pode ser baixada aqui (em pdf). O Ministério da Justiça criou um serviço telefônico gratuito para denunciar quadrilhas de tráfico de pessoas.

No Brasil, basta discar 100. A denúncia também pode ser feita via internet, através do email disquedenuncia@sedh.gov.br

O Ministério da Justiça garante o sigilo.

Fontes:
veja.abril.com.br
rnw.nl/pt-pt
onu-brasil.org.br
brasileirosnaholanda.com

Tomé Ferreira

Graduando em TECNOLOGIA EM MULTIMÍDIA DIGITAL pela UNISUL Iniciei minha carreira como “Desenhista” de prancheta. Arte-finalizava tudo manualmente também fazendo trabalhos esporádicos de Jornalismo Social. Fundei o Portal Duniverso em 2009 iniciando de vez minha saga pelo jornalismo o qual me apaixonei. Vida inteligente na WEB.

19 comentários em “Quadrilhas de tráfico humano mulheres são as preferidas

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