De Darwin a Ergo Chair: como as cadeiras de escritório ajudam a contar a história do trabalho

De Darwin a Ergo Chair: como as cadeiras de escritório ajudam a contar a história do trabalho

Inventada pelo naturalista britânico na metade do século 19, o objeto é hoje um dos itens indispensáveis da vida cotidiana

 A história da cadeira de escritório que hoje é item indispensável da vida cotidiana de grande parte das pessoas é curiosa e mais antiga do que parece: existente há dois séculos, ela foi inventada por ninguém menos que o naturalista britânico Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies (1859), obra que revolucionou todas as ciências naturais e humanas de lá pra cá.

Darwin, para além do tamanho de seu trabalho intelectual, foi o primeiro a colocar pequenas rodas embaixo de uma velha cadeira que possuía em seu escritório pessoal, por volta do ano de 1840, em sua casa no interior da Inglaterra.

“Claro que ele não queria contribuir para a evolução das cadeiras, mas com ela conseguiu essa proeza mais rapidamente do que com as espécies que estudou”, disse o designer industrial Jonathan Olivares, autor do livro A Taxonomy of Office Chairs, publicado nos EUA em 2014, ao jornal New York Times.

A invenção de Darwin, que hoje se tornou a moderna cadeira giratória, era conhecida como “trono de madeira em rodas”. Em 2014, Olivares foi o responsável por reconhecer definitivamente a obra do naturalista como o criador do assento de escritório.

No processo evolutivo da criação darwiniana, outro nome importante foi o estadista germânico Otto Von Bismarck: segundo os relatos históricos, ele distribuiu várias cadeiras aparelhadas com rodas para os membros do recém-criado parlamento germânico enquanto esteve no poder, entre 1873 e 1890. À época, o objeto era desejado pelas classes mais altas não apenas pela novidade, mas pelo preço.

Crédito: divulgação

Antes disso, em 1849, o inventor estadunidense Thomas Warren deu forma à cadeira giratória que hoje ocupa qualquer mínimo escritório em qualquer parte do mundo: a Centripetal Spring Armchair foi a primeira peça feita com aço, alumínio envernizado e estofamento de veludo. Apesar de não ter nenhuma grande novidade, ela ficou muito popular nos EUA pelo conforto — a fama foi tão grande que empresas britânicas da Era Vitoriana chegaram a afirmar que dar cadeiras confortáveis aos trabalhadores era “imoral”.

Já no século 19, com o surgimento das longas ferrovias na Europa e nos Estados Unidos, o negócio de trens começou a se expandir e demandar mais funcionários para administração e controle das linhas. Era uma época que pedia avanços tecnológicos em todas as áreas da vida, e o ambiente do trabalho era uma delas. Então, as companhias passaram a aparelhar seus escritórios e centrais com as cadeiras giratórias para, em troca, pedir mais produção e energia dos empregados durante o exercício de suas atividades.

“Nos Estados Unidos, as cadeiras de escritório sempre foram pensadas a partir do conforto. A ideia era que as pessoas que fossem trabalhar pudessem ficar sentadas nelas o maior tempo possível sem cansar”, explicou Olivares.

De fato, ele tem razão: segundo um estudo da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, um trabalhador pode ser até 17,5% mais produtivo quando usa uma cadeira de escritório para trabalhar em relação a um assento comum. Isso significa que, se a produção aumenta 17,5% em uma jornada de oito horas diárias, ele vai trabalhar quase uma hora e meia a mais do que sentado em uma cadeira comum.

A invenção mais recente e significativa nas cadeiras de escritório aconteceu em 1970, quando foi criada a Ergo Chair, nos Estados Unidos. Pensada não apenas como um assento comum, mas também como um elemento de melhora na saúde e no conforto dos trabalhadores, ela tinha algo que nenhuma outra possuía até então: ajustes na altura e no tamanho do encosto.

Em um mundo em que, normalmente, as pessoas passam uma média de duas mil horas por ano trabalhando, faz sentido que as cadeiras de escritório sejam um item tão importante na vida cotidiana. Se a média de trabalho no Brasil, por exemplo, é de oito horas diárias, cinco dias por semanas, isso significa que são 1920 horas por ano — ou cerca de 20 dias anuais. Muito tempo para ficar em uma cadeira desconfortável.

Grande abraço!
Press Office

Tomé Ferreira

Graduando em TECNOLOGIA EM MULTIMÍDIA DIGITAL pela UNISUL Iniciei minha carreira como “Desenhista” de prancheta. Arte-finalizava tudo manualmente também fazendo trabalhos esporádicos de Jornalismo Social. Fundei o Portal Duniverso em 2009 iniciando de vez minha saga pelo jornalismo o qual me apaixonei. Vida inteligente na WEB.

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