Saúde global seria a 5ª maior emissora de gases de efeito estufa caso fosse um país, revela estudo
Dado reforça a pressão por metas ambientais em hospitais e coloca cozinhas, compras e resíduos no centro da agenda ESG do setor
A agenda ESG chegou ao prato dos pacientes. O setor de saúde, se fosse um país, seria o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. O dado é de um relatório da Health Care Without Harm, em parceria com a Arup, que estima que a saúde responde por 4,4% das emissões líquidas globais. Com isso, os hospitais começaram a tratar cozinhas, compras e resíduos como ativos estratégicos para reduzir impacto ambiental e melhorar a gestão assistencial.
Nesse movimento, a cozinha hospitalar passa a ocupar um papel mais estratégico, já que concentra etapas diretamente ligadas à segurança alimentar, ao controle de desperdícios, rastreabilidade de insumos e gestão de resíduos, aponta o portal Saúde Business.
Mais do que preparar refeições, essas estruturas participam da rotina assistencial. A alimentação influencia a recuperação clínica, a adesão às dietas prescritas e o bem-estar do paciente durante a internação. Ao mesmo tempo, exige uma operação complexa, que envolve compras, armazenamento, preparo, distribuição e descarte de materiais.

A dimensão desse processo aparece em um dos principais gargalos da cadeia alimentar. Segundo o Índice de Desperdício de Alimentos 2024, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o mundo gerou 1,05 bilhão de toneladas de resíduos alimentares em 2022. Os serviços de alimentação responderam por 28% desse total, o que amplia a atenção sobre cozinhas institucionais e operações de grande escala.
Nos hospitais, reduzir perdas envolve mais do que eficiência financeira. A gestão precisa considerar o perfil clínico dos pacientes, o tamanho das porções, a aceitação das dietas e os protocolos de segurança alimentar. O equilíbrio entre cuidado, sustentabilidade e controle de custos passou a fazer parte da operação diária.
Essa lógica também se estende ao descarte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 85% dos resíduos gerados por atividades de saúde sejam gerais e não perigosos, enquanto 15% são classificados como perigosos. A separação correta evita que materiais comuns recebam tratamento inadequado, o que pode elevar custos e ampliar impactos ambientais.
Descarte vira oportunidade de reciclagem no Brasil
Já no Brasil, o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024, da Abrema, aponta que foram geradas aproximadamente 293 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde em 2023. A legislação também permite que resíduos sem risco biológico, químico ou radiológico sejam encaminhados para reciclagem, compostagem, aproveitamento energético ou logística reversa.
Com isso, a cozinha hospitalar deixa de ser apenas uma área operacional e passa a integrar uma agenda mais ampla de governança. O desempenho do setor pode impactar indicadores ambientais, custos, qualidade assistencial e conformidade regulatória, especialmente em instituições pressionadas por eficiência e metas de sustentabilidade.
Autoria: Ana Beatriz Manso | Assessora de Imprensa | [email protected]

