ALECRIM DOURADO
jun11

ALECRIM DOURADO

 ALECRIM DOURADO Por Antônio de Oliveira Paixão é alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado. Não nasceu no asfalto que obtura o solo e mata a seiva. Tampouco em terreno pedregoso. O alecrim do campo nasce em terra boa. Exala um odor agradável e forte, forte e agradável como o amor. Alecrim-de-cheiro, alecrim dourado, da cor dourada do sol, da cor do ouro, metal precioso. Anos dourados do namoro, a formar um par de ouros sacramentado pelo par de alianças. “Per amore”, o amor de namorados é suave e terno, terno e suave como o alecrim do campo. Eterno, para sempre. Nas asas do vento macio. Dois enamorados olham para o alto e contemplam os pássaros. Bartolomeu Campos Queirós pergunta: “Sabe por que pássaro se escreve com dois ss?” Ele mesmo explica: “Porque é no encontro das duas consoantes que se dá o movimento das asas”. Alecrim, pássaro, pássaro de aço, avião. Jeremias profetizou: “Uma grande águia, de grandes asas, de plumagem comprida e cheia de penas de cores variegadas, veio ao Líbano e levou o mais alto ramo de um cedro”. O alecrim é de ouro, pássaro tem dois ss num encontro de duas consoantes, num encontro de namorados que consoam num par consonantal, num cenário idílico. “Per amore”, vivencia-se, no dia a dia, a estrada palmilhada a dois, Perguntas oportunas inspiradas na canção: Por amor… Você já fez alguma coisa apenas por amor? Por amor… Você já desafiou o vento e gritou? Por amor… Você já esgotou a razão, como o nanquim do pincel de um pintor, e deu razão ao coração? Você sabia que a medida do amor é amar sem medida, até ficar sem fôlego? Você acredita nisso ou isso lhe parece não passar de mito, mentira, de ilusão, de utopia? E essa história, mania que a gente tem, que é gostar de alguém? Por amor… Você já se perdeu e se reencontrou e se reconciliou na vida e com a vida? Você já fez cair uma chuva de pétalas sobre seu alecrim dourado? Oi, meu amor, de décadas, quem te disse assim que a flor do campo é o alecrim? O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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LEILÃO DO MEIO AMBIENTE
jun05

LEILÃO DO MEIO AMBIENTE

 LEILÃO DO MEIO AMBIENTE Por Antônio de Oliveira A natureza está morrendo. Por enquanto, em agonia. Despojos a leiloar. Consequência do consumismo, da depredação, da sujeira, da poluição, do desmatamento, do lucro desmedido do ser humano considerado a medida de todas as coisas. Um quadro de desolação ambiental como o de pós-desastre ecológico de Mariana, de proporções avassaladoras do sistema Terra, consequentemente dos seres vivos. Não bastassem as forças da erosão que eventualmente castigam e desfazem a beleza paisagística de bosques, pradarias e montanhas. À sombra de uma árvore, de águas abundantes em seus limites, um banco tosco se torna macio. Como é desolador o ambiente do leito seco de um rio outrora caudaloso ou de uma bica que corria incessante. Quando, então, não mais se ouve o som puro de seu marulhar cadenciado. Da cadência da natureza. Em 1984, versejando como de hábito, Carlos Drummond de Andrade já fazia os cálculos: “De cada cem árvores antigas /restam cinco testemunhas / acusando o inflexível carrasco secular. / Restam cinco, não mais. Resta o fantasma / da orgulhosa floresta primitiva”. Imensamente mais significativo que o tapete vermelho de astros e estrelas de Hollywood é o tapete verde da natureza sobre a superfície da terra. Imagem, aliás, de Monteiro Lobato: “A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem”. Palavras adultas e atuais, tanto de Drummond como de Lobato. Na medida certa, o dinheiro tem seu lado utilitário: põe a mesa, financia o livro, alimento da alma; paga o remédio, banca o progresso, o lazer. Entretanto, por detrás do dinheiro e atrás dele, essa fúria devastadora em busca de mando, prestígio, poder, glória. Ambição, muita ambição. Propinas que escorrem por um saco sem fundo, ou por um encanamento volumoso. Descaso sem medida e sem fim, desmedido, inconsequente… O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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O ELOGIO DA IGNORÂNCIA
maio31

O ELOGIO DA IGNORÂNCIA

 O ELOGIO DA IGNORÂNCIA Por Antônio de Oliveira Por que não? Pois não existe o livro O Elogio da Loucura, escrito por Erasmo de Rotterdam? A ignorância é uma bênção. Pensar dói… Essa percepção, doida e doída, eu ouvi de uma jovem questionadora. Sem dúvida, nossos políticos sabem disso e, por isso, muitos preferem manter o povo na ignorância, não dando a mínima para a educação. Sabem por intuição que ninguém ama o que desconhece. Inteligência sem descortino é mais fácil de ser manipulada. Santa ignorância! Incapacidade de ver longe, de antever, de prever e de predizer. Odorico Paraguaçu, personagem de Dias Gomes interpretado por Paulo Gracindo, na novela “O Bem-Amado”, de 1973, repetia a frase: “A ignorância é que atravanca o progresso”. Isso toda vez que alguém dizia uma besteira. No papel de Ofélia e contracenando com Lúcio Mauro, o Fernandinho, a atriz Cláudia Rodrigues a repetir o bordão: “Eu só abro a boca quando tenho certeza”. Isso depois de dizer uma porção de bobagens. Zé Bebelo, personagem de Guimarães Rosa, “Trepava de ser o mais honesto de todos, ou o mais danado, no tremeluz, conforme as quantas. Soava no que falava, artes que falava, diferente na autoridade…” Homem inteligente, intrujava de tudo. Quanto mais alto se sobe mais amplo se nos apresenta o horizonte. Mais fácil, então, falar sem pensar. Viver é mais difícil que apenas existir. A condição natural dos corpos não é o repouso, mas o movimento. Movimentar-se, no entanto, custa. Às vezes, até dói. Praticar atividade física requer esforço e força de vontade. Alimentar-se moderadamente e viver bem requer educação alimentar. Andar num shopping sem atropelar os outros, principalmente os mais velhos, requer atenção. Não falar alto, de modo a incomodar os circunstantes, implica moderar a voz, monitorar-se. Fazer silêncio onde não se deve conversar, numa igreja, num hospital, não fazer silêncio altas horas da noite para não incomodar os vizinhos.Tudo isso é saudável, mas “dói”. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia...

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PECADO SEM CULPA
maio23

PECADO SEM CULPA

 PECADO SEM CULPA Por Antônio de Oliveira “Quando eu, político eleito para representar o povo, deixo de declarar uma mansão ao imposto de renda, uma casinha modesta, aqui no bairro Paraíso Fiscal de Brasília, ou noutro lugar privilegiado, deixo de fazê-lo por um lapso. Meus advogados nem para me lembrarem desses detalhes. Ah! Esses… Além disso, receita é receita. O bolo vem depois dos ingredientes devidamente dosados, negociados e distribuídos leoninamente. Quem parte e reparte fica com a melhor parte. Todo o mundo sabe que leão é um animal selvagem. Não dá para facilitar. Prefiro nem chegar perto. Mantenho distância. Idiota de quem se deixa abocanhar. Minha vida é um livro aberto. É verdade que, às vezes, surge uma denúncia, denunciazinha, alguns milhões apenas, marolinha, mas tenho Deus por testemunha, é tudo intriga da oposição, ilações de uma imprensa mafiosa e denuncista, fascista, que prejulga, não prova nada. No mais, tanto escândalo neste país! Em pouco tempo um encobre o outro e deixa tudo empilhadinho na seção DP (Decurso de Prazo). Ninguém nunca provou minha ligação com traficantes nem com empresários suspeitos ou que eu tenha dinheiro no exterior. Também não sou muito de laranja, não distribuo nada para minha família, meus parentes que façam concurso. Minha fortuna, fruto do infortúnio de muitos? Não é bem assim. Inveja do empreendedorismo, meu e dos meus apaniguados. Disse e repito. Esqueçam o que eu escrevi. Pela direita, te locupletarás acintosamente. Esqueçam o que eu dizia. Era o contexto. A luta continua… Quem disse que não? Pela esquerda, te locupletarás aleivosamente. Pra que juntar tanto dinheiro? Perguntam alguns otários. Como é bobinho esse pessoal da ética. Até parece ONG ambientalista. Posso ser adepto da propina, mas rendo homenagens à transparência. Sigo à risca esse catecismo. Que até pode rimar com cinismo, mas estou longe disso. Conto com a indulgência suprema do foro privilegiado. Que me redime dos pecados.” O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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ODE ÀS MÃES
maio11

ODE ÀS MÃES

 ODE ÀS MÃES Por Antônio de Oliveira Preceitua o mandamento: Ama ao teu Deus e ao teu próximo. Honra teu pai e tua mãe, razão de bom sucesso na terra, e terás vida longa. Quanto à boa mãe, como também quanto ao bom pai, ao bom político, ao bom jogador de futebol, ao bom profissional, todos acabam por tomar consciência de que já terão cumprido sua missão aqui na terra. Para tudo e para todos existe a hora certa. Ocorre-me a imagem da galinha que, em certa altura, não mais recolhe e reúne seus pintainhos debaixo de suas asas, mesmo sendo galinha que cisca olhando para baixo. O ideal materno se volta mais para o alto. Contemplando o voo da águia, aos filhos a boa mãe deu, dá ou dará asas para voar. Mãe não é apenas um componente básico do núcleo familiar. Muito menos pau para toda obra. Ou, ainda: dona de casa com reprimida ânsia de viver a vida. Não é mera figurante. É protagonista, contracenando com o marido e os filhos, num misto de terra a terra e de êxtases, no palco existencial da representação consanguínea. Filhos, a gente os cria para o mundo, para que eles tracem o próprio rumo, sigam o seu destino, façam suas escolhas, superem frustrações, aceitem o inexorável, assumam os próprios erros e deles se desvencilhem como quem cai e se levanta. Um passo errado, um vaso que cai e se quebra é aviso de que se deve ter mais cuidado. Amar é um processo permanente de libertação e de doação. Ser penhora e não senhora, na concordância e na divergência, nas horas alegres e nas horas tristes, no sucesso e no fracasso, na saúde e na doença. No abraço filial e reconhecido, no clima do Dia das Mães. Abraçar é unir dois corpos na altura do coração. Se a mãe está bem velhinha, agacha-te, que ela merece, e dá-lhe um beijo demorado, do tamanho do amor que lhe dedicas. Ou ajoelha-te diante dela, mãe, avó, bisavó, trisavó… Dia das Mães, dia de honra e louvores à tua mãe, à minha mãe, em homenagem póstuma; à minha esposa e mãe, a todas as mães. Parabéns, mães! O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.h...

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Ong ASPAC acolhendo vidas
maio09

Ong ASPAC acolhendo vidas

 Ong ASPAC acolhendo vidas Fiquei admirado com excelente trabalho da ASPAC em Belo horizonte. É um exemplo vivo de que, quando existe união, vontade, amor e solidariedade, é possível sim, promover qualidade de vida à um grande número de pessoas, transformando a sociedade e tornando o país melhor para se viver! Conheça a ASPAC. A Associação de Pais e Amigos do Centro de Reabilitação – ASPAC é uma instituição filantrópica, apolítica, que presta assistência clínica, psicológica, pedagógica, nutricional entre outras, para crianças, adolescentes, portadores de necessidades especiais e pessoas que se recuperam do envolvimento com drogas de Belo Horizonte. A idéia da construção da ASPAC surgiu em 2000 através da proprietária da Clínica de Reabilitação e Integração Social – CRIS, Cláudia La Badié. A Clínica CRIS atendia diversos portadores de necessidades especiais em diversas modalidades clínicas, no decorrer do tempo, a proprietária percebeu que muitas pessoas não dispunham de condições financeiras para arcar com os custos de um tratamento especializado. Daí surgiu a idéia da ASPAC que é fazer atendimentos clínicos às pessoas que não podem pagar um tratamento. O trabalho da ASPAC é muito interessante por ser multidisciplinar, pois as pessoas que são atendidas, não recebem atendimentos isolados, mas sim atendimentos que se complementam, como nutrição e psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional, dentre outras etc. Embora essa idéia tenha surgido antes, somente em 2001 que a ASPAC iniciou suas atividades, registrando-se como sociedade civil, com a razão social de “Associação de Pais e Amigos do Centro de Reabilitação” na região do bairro Planalto em Belo Horizonte. A ASPAC recebeu este nome por ser a vontade de pais, amigos e comunidade, para que todos tenham o direito de ser atendidos, independente da situação financeira. O principal desafio da fundação da ASPAC foi a ausência de verbas disponíveis para investimento em equipamentos e instalação física. Mas mesmo assim a ASPAC conseguiu se manter e atualmente atende 300 pessoas por mês.    MISSÃO Promover o bem estar para pessoas carentes, através de tratamento e acompanhamento clínico, buscando reintegrá-las à sociedade. VISÃO Se consolidar como uma associação atuante em Belo Horizonte e região metropolitana, prestando atendimento de excelência aos seus pacientes. VALORES Para a ASPAC, a valorização da vida e da saúde está em primeiro plano; Busca constante pelo resgate à dignidade humana, ajudando sempre o próximo; Valorização do ser humano, tratando o paciente de forma individual e humanizada; Trabalho com seriedade e respeito; Além de prestar um bom atendimento, a ASPAC também tem o intuito de levar alegria aos pacientes.    LOCALIZAÇÃO A ASPAC está localizada à rua Fernando Ferrari, nº 173, no bairro Planalto – Belo Horizonte/MG. OBJETIVOS Os objetivos...

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