CONDIÇÃO HUMANA
out22

CONDIÇÃO HUMANA

 CONDIÇÃO HUMANA Por Antônio de Oliveira Para muitos é o vazio… Para Tomás de Aquino, no século XIII, o fim do ser humano é a felicidade, felicidade que é a posse do bem infinito. Procurar total felicidade nos bens finitos é desvirtuar a dignidade humana. Dessa forma, a primeira condição para ser feliz é aceitar as próprias imperfeições e potencialidades. Platão entende que o corpo é cárcere da alma. Não se é feliz quando não se aceita este misto de grandeza e miséria: nem anjo nem cão, sublime e tosco, santo e pecador. Um vaso frágil. Ninguém é melhor que ninguém. Seja branco, pardo, negro. A felicidade individual não provém, pois, dos bens materiais, em si. Que podem ser indispensáveis, necessários, úteis, mas que também podem alimentar ambições desvairadas, de querer sempre mais, a qualquer custo. De possuir por possuir, não importando o ser, mas o ter. Desta vida nada se leva de material. Caixão não tem gaveta. Ninguém vive por procuração, muito menos para todos os fins. O viver é individual e intransferível. A arte de bem viver compete a cada pessoa. Recuperar uma nação economicamente é mais fácil do que recuperar moralmente. A regra suprema da moralidade, segundo os antigos estoicos, consiste em “viver conforme a natureza”. Não deixa de ser uma proposta que pode ser mal interpretada, mas positiva se significar viver segundo a razão, gerindo os condicionamentos com vontade operante e meritória. Nem sempre quem espera faz a hora se a expectativa for além do exequível. Cabeça nas estrelas, pés no chão. Fagner canta: “Quem dera ser um peixe!” Sabemos que nunca será. Sereis como Deus! Nisso consistiu a tentação da serpente, que soube mexer no ponto fraco da recém-criada espécie, espécie que não se contenta de ser o que é. Isso não significa que o nível de exigência das pessoas não deva evoluir. Pelo contrário, mas nos sadios limites da natureza humana. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia...

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“GIVE TRUTH A CHANCE”, UM ESPAÇO PARA A VERDADE
out17

“GIVE TRUTH A CHANCE”, UM ESPAÇO PARA A VERDADE

 “GIVE TRUTH A CHANCE”, UM ESPAÇO PARA A VERDADE Por Antônio de Oliveira Muita coisa a gente aprende nos livros, mas também vendo, ouvindo, cheirando, apalpando, repetindo, manipulando, sentindo, experimentando, vivenciando, digitando, pondo a mão na massa. Talvez seja o que, versejando, ensina Camões n’Os Lusíadas: “Não se aprende, Senhor, na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo, tratando e pelejando”. Ou, na paródia de Millôr Fernandes: Ver primeiro. Depois conjeturar o que se vai fazer. Só então… pelejar. Sobretudo hoje em dia, era digital em que pesquisar é sinônimo de joeirar na internet. “Não se pode ensinar nada a um homem; só é possível ajudá-lo a encontrar a coisa dentro de si”, dirá Galileu Galilei. Ensinar é lembrar, conforme teoria de Platão e também de Sócrates: “scire est reminisci”. O conhecimento seria, pois, reminiscência, lembrança, cavoucar fundo e daí extrair o vero. De qualquer maneira, válida ou não a teoria, ensinar é lembrar aos outros que eles têm potencial para saber tanto quanto quem ensina, ou mais. Caso do discípulo que supera o mestre, indo além. Aristóteles foi incisivo: “Amicus Plato, amicus Socrates, sed magis amica veritas”. Amigo Platão, amigo Sócrates, mais amiga é a verdade. Oxalá os filhos superassem os pais; os alunos, os mestres. A palavra filósofo remonta a Pitágoras. Em vez de ser chamado de sábio, ele, grande matemático, preferia ser chamado de filósofo, “amigo da sabedoria”. Seus discípulos, no entanto, consideravam como última palavra tudo aquilo que ele ensinasse. Os homens que se julgam sábios são indecisos na hora de mandar e são rebeldes na hora de servir. No Brasil, é a vez dos sofistas, de crise para o pensamento objetivo. Políticos e autoridades sem convicções, ávidos de riqueza, de poder e glória, se esmeram em iludir a população com palavras ao vento. Enquanto isso, em Janaúba, uma professora morre devido ao socorro por ela prestado a crianças em meio a uma tragédia. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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“BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE…”
out10

“BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE…”

 “BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE…” Por Antônio de Oliveira Antigamente as crianças brincavam, ingênua e sossegadamente, com bola de meia e bola de gude. Hoje, inapelavelmente, as crianças só querem saber de celular na mão. Uma geração de cabeça baixa, subserviente aos ditames da tecnologia. Por certo, e falar em mão, Dia da Criança é dia de dar a mão às crianças. É também dia de a gente brincar com elas de coisas sérias, conceitos aplicados, como amizade, respeito, caráter, bondade, alegria, amor, carinho, honradez. Sobretudo honestidade, mercadoria que anda desaparecida nas prateleiras do mercado interno de produtos éticos. Mas eu ainda acredito! A netinha de dois anos que me dá a mão anda de par com a criança que, desde a mais tenra infância, campeia, invisível, mas vivo, orante e ovante, dentro do meu ser: “e o que mão a mão diz é o curto; às vezes pode ser o mais adivinhado e conteúdo; isso também”. A infância distante insiste em viver, mas não em viver como toda essa gente que acha que roubalheira é coisa normal. Gente que não impõe um limite ao seu ter pelo viés do desserviço público. À semelhança de quem picha por fora, disputando espaço e altura, o corrupto disputa para chegar mais alto, com sua senha e sua sina, pelo caminho da propina e de mordomias autoatribuídas, Não creio em bruxas, mas elas existem e ninguém mais fica assombrado. Acho que nem mesmo as crianças. Dentro de mim, a criança insiste em me sacudir a fim de exorcizar assombrações. De novo, o menino. Solidário, ele não quer solidão. Quer solidariedade. Quando o pedestal ameaça ruir, o menino me dá a mão e me pergunta ingenuamente: Você já não é adulto? Não mais a bola de meia, não mais a bola de gude. Feliz do adulto que pode ouvir a voz da criança a lhe fazer essa pergunta. Nem tudo, então, estará perdido. Além do mais, se a criança de ontem pergunta ao adulto de hoje se ele é de fato adulto, amadurecido, que se lembre de Gonzaguinha com a pureza da resposta das crianças. ANTÔNIO DE OLIVEIRA O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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QUANDO OS FATOS NÃO CORRESPONDEM AOS NOMES
out06

QUANDO OS FATOS NÃO CORRESPONDEM AOS NOMES

 QUANDO OS FATOS NÃO CORRESPONDEM AOS NOMES Por Antônio de Oliveira Os pais costumam ter um trabalho danado para escolher o nome do bebê. Não é sem razão que, depois de todo esse esforço, ninguém queira ser tratado, anonimamente, como “o próximo” ou como o cliente do guichê 5 ou como portador da senha 24 ou como fulano, sicrana… Ser tratado pelo nome é prova de individualidade, sinal de consideração e identificação. “Meu nome é Enéas”, repetia, com orgulho, persistente candidato à presidência da República. Toda pessoa tem um nome ou um apelido de que gosta. Antropônimos e topônimos nem sempre correspondem à realidade. Ironia da sorte. Ou da falta de sorte. Uma jovem chamada Celeste tinha pavor de viajar pelos céus, de avião. Belo Horizonte virou Triste Horizonte num poema de Carlos Drummond de Andrade. Um advogado por sobrenome “de Deus” foi condenado à pena de reclusão. Uma menina de nove anos morre ao ser levada pela enxurrada no Conjunto Felicidade. Morte de adolescente deixa apreensivos os moradores do Jardim Felicidade. Em Lagoa Santa, o bairro Vila Rica teve casas demolidas por um vendaval. Um assaltante de 25 anos é o segundo membro de uma família linchado no Bairro da Paz. Moradores da Vila Beija-Flor tiveram de limpar a sujeira e reparar os estragos provocados pelo temporal. Nomes como Celeste, Felicidade, Lagoa Santa, Vila Rica, Belo Horizonte, Bairro da Paz, Beija-Flor ou Cidade de Deus refletem desejo de harmonia. Entretanto, nomes assim acabam por contrastar com tragédias e violência. É que nem sempre a linguagem ideal reflete a realidade, à semelhança de boas leis, piedosos sermões, lições de moral. Vale a pena lutar um pouco mais pela coerência entre pregação e ação, discurso e ética, razão e sensibilidade. Eldorado dos sonhos e realidade do dia a dia. Síndrome da pressa versus gentileza urbana no trânsito, paz e amor. Lembra padre Antônio Vieira que cada um sonha como vive. Mas cada um sonha também como gostaria de viver… O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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QUIMERAS MIL
set28

QUIMERAS MIL

 QUIMERAS MIL Por Antônio de Oliveira O ser humano é uma quimera? Que novidade, que monstro, que caos, que objeto de contradição, que prodígio! Medida de todas as coisas, cloaca de incerteza e do erro, glória e miséria! Quem decifrará esse enigma, esse paradoxo ambulante? Esse questionamento vem a propósito da atual crise brasileira. Quem mediará tantas radicalizações, tantas desculpas esfarrapadas em meio a tanta roubalheira? O Brasil se transformou num acervo de incertezas. Quem botará ordem e progresso na casa? Nosso narcisismo não vale coisa alguma. Jamais seremos como Deus. Ai dos corruptos que causam a dor dos menos favorecidos! Devemos, pois, amadurecer no espírito. “Il faut cultiver notre jardin”: É preciso cultivar nosso jardim, afirma Voltaire. Tendo cuidado com o joio e com o agrotóxico. O bem que eu quero eu não faço. O mal que não quero eu faço, confessa S. Paulo. Reincidente no erro, faço e faço e faço, refaço. Nesse aprendizado, tenho que ler, reler, tresler, até aprender. Difícil interromper um vício, fazer por emagrecer. O jagunço Riobaldo admite que “não queria o que de certo queria”. Em acessos de medo ou de ira o corpo esfria, o sangue ferve nas veias. Emagrece de tristeza e rejuvenesce de júbilo. O rosto fica corado de vergonha. Problemas imaginários nós os tornamos mais reais que a realidade. Ânsia antes de uma prova. Estresse, depressão, diminuição de função fisiológica, desânimo, sensação de cansaço, abatimento visível, conversão somática, desesperança. Segundo a lenda, basilisco era um réptil fantástico, de oito pernas, segundo alguns em forma de serpente, capaz de matar pelo bafo, pelo contato ou apenas pela vista e, segundo outros, em forma de serpente com um só olho na fronte. Olhar venenoso, a única maneira de eliminá-lo seria colocar um espelho à frente dele que, ao refletir o seu olhar, acabava por matar esse ser fabuloso. Apesar de Narciso, é “feio o que não é espelho“, e apesar do espelho, viver é gratificante. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia.com...

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MÃOS SÃO MUITAS
set20

MÃOS SÃO MUITAS

 MÃOS SÃO MUITAS Por Antônio de Oliveira Os dedos da mão não são iguais. Mas não apenas os dedos. As mãos também não são iguais. Do grego, oneômano ou oneomaníaco, comprador compulsivo, mão-furada, mão-aberta, mãos-rotas ou manirroto, mão-frouxa, consumista. Mão-fechada, avarento, mão em garra, escorpião no bolso. Mãos-atadas, pessoa acanhada, indecisa, sem expediente. Mãozudo, que tem mãos grandes. O calculista se revela na mão calma, tranquila. Do desesperado, dele as mãos tremem. Nas mãos do corrupto se pode observar o que ele tenta ocultar. Um político brasileiro ficou conhecido como “Mão Santa” em razão de suas atividades assistenciais na área médica. Mão-leve, na gíria, significa gatuno, ladrão. Mão-boba é o gesto de quem procura, como quem não quer nada, tocar com a mão o corpo de outra pessoa com intenção libidinosa ou de furto. Entoa o salmista: Quem pode subir ao monte do Senhor? Quem pode ficar de pé no seu santo lugar? Aquele que tem as mãos limpas… Moisés, enquanto tinha as mãos levantadas, Israel vencia, mas logo que as abaixava, Amalec triunfava. Como se fatigassem os braços a Moisés, puseram-lhe uma pedra por baixo e ele assentou-se nela enquanto lhe sustentavam as mãos, Aarão, de um lado, e Hur, do outro. Suas mãos puderam assim manter-se levantadas até o pôr do sol, e Josué derrotou os amalecitas. A vara nas mãos de Moisés abriu passagem pelo Mar Vermelho. Com um estilingue nas mãos, Davi venceu Golias. Quanto às mãos postas para orar, consta que o vencido ia ao encontro do conquistador romano, ajoelhava-se diante dele e lhe oferecia as mãos, unidas, para serem acorrentadas. Com essa atitude, sujeitava-se a ser escravo, mas pelo menos se lhe poupava a vida. Pode ser que, a partir daí, o costume se tenha generalizado na Era Cristã, à hora das súplicas religiosas. Mãos ao alto, por sua vez, significa rendição, seja nos filmes de faroeste seja em batidas policiais seja em assaltos. Despeço-me com um caloroso aperto de mãos.   O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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