Bolsa de Mulher
mar24

Bolsa de Mulher

 Bolsa de Mulher Por Antônio de Oliveira Num quadro do Programa Silvio Santos era feita a seguinte pergunta às colegas de trabalho: – Quem tem uma tesourinha? E não é que uma bolsa de mulher carrega de tudo? Batom, espelho, caneta, fio dental, escova de dente, gominhas de cabelo, pinça, chocolate, filtro solar, talão de cheques, agenda, óculos escuros, molho de chaves, lenços de papel, documentos diversos, um iPad… y otras cositas más…  Esse mundo também é assim. Cheio de acessórios, penduricalhos, balangandãs, atavios, adereços, fantasias ambulantes, excelências, propagandas sutilmente mentirosas… O mundo está cheio de tudo e mais um pouco, dispensável ou não, que nem bolsa de mulher. Eça de Queirós escreveu: “Até a cruz, a forma suprema, tem perdido entre os homens a sua divina significação. A cristandade, depois de a ter usado como lábaro, usa-a como enfeite. A cruz é broche, a cruz é berloque; pende nos colares, tilinta nas pulseiras; é gravada em sinetes de lacre, é incrustada em botões de punho; e a cruz realmente neste soberbo século pertence mais à ourivesaria do que pertence à religião…” Depois dessa, de Eça, quase nada mais a declarar. Ora essa! Muito se fala em politicamente correto. Ninguém fala em humanamente correto. O secundário vem antes do principal. O divino, nós o mantemos sobrenaturalmente à distância. Pouco se fala no valor divino do humano. Esquecemo-nos das necessidades básicas da população. No afã consumista, criamos e alimentamos necessidades novas, dispensáveis. Tendas de ovos de chocolate em vez de feijão com arroz no prato dos necessitados, feijão com arroz surrupiado pelos desvios de verbas e outras maracutaias. Um lauto prato de bacalhoada simulando abstinência de carne. Estádios majestosos rodeados de casebres. Velórios de luxo, lápides suntuosas. Cova rasa, “com palmos medida”, é de indigente ou “de escravo humilde sepultura” (A Cruz da Estrada). Há mais preocupação em propina que em por fim à miséria. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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Papa Francisco
mar14

Papa Francisco

 Papa Francisco Por Antônio de Oliveira Já me passou pela cabeça que o Papa Francisco bem que poderia ser o Gandhi atual de nossos políticos. Para começar, ele é argentino, nascido Jorge Mario Bergoglio, e conhece bem nossa cultura, nossos hábitos, nossos meandros multifacetados, “pelo viés dos barrancos avergoados de enxurros” (Euclides da Cunha), enxurros de corrupção. Falta aos nossos políticos a lucidez de assumir os próprios erros e de um sem-número de partidos. Pelo contrário. Não existe vivalma mais honesta do que eles. Francisco, ao invés, reconhece que “até o papa tem pecados”. Quem não tem pecado atire a primeira pedra. Cada um, cada uma há de sair de fininho, a começar pelos mais velhos. Pedro, o primeiro papa, prostrado aos pés de Jesus, exclamou: ”Sou um homem pecador”. Que o ser humano é fraco e pecador, experimentamo-lo a todo o momento. Pela boca do escritor sagrado, várias afirmações incisivas: O justo peca sete vezes por dia, em número simbólico, para dizer que peca absurdamente, conforme Livro dos Provérbios. O Eclesiástico confirma: Não há homem que não peque. São João, contundente: Aquele que diz que não tem pecado faz de Deus um mentiroso. Ainda do escritor sagrado: Aquele que esconde os seus crimes não será purificado. Chico Buarque diz que “confessando bem, todo mundo faz pecado”, só a bailarina é que não faz… Pensamento musicado: Não existe pecado do lado de baixo do equador. Contudo, todos os dias se acumulam denúncias envolvendo excelências, que é um estardalhaço dos pecados. Um terrível, espantoso clima de corrupção assola o país. E ninguém assume. Pelo contrário, procuram acomodar a legislação de tal maneira que o foro privilegiado anistie, sim, todos os pecados, graças a uma indulgência plenária. Uma remição plena das penas, uma Lava Jato às avessas a lavar e purificar, como por encanto, autoridades públicas corruptas. Até o Boca do Inferno, Gregorio de Matos, bate no peito: ”Tenho delinquido”. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia...

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Mulheres da Bíblia e de Nossos Tempos
mar07

Mulheres da Bíblia e de Nossos Tempos

 Mulheres da Bíblia e de Nossos Tempos Por Antônio de Oliveira No Dia Internacional da Mulher, uma galeria de retratos femininos bíblicos: Abisag, Agar, Benjamina, Betsabá, Dalila, Dama do Apocalipse, Débora, Ester, Eva, Hagite, Judite, Lia, Rainha de Sabá, Rebeca, Raquel, Rute, Sara, Susana. No Novo Testamento, as três Marias (Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena e Maria, mãe do apóstolo Tiago), Ápia, Febe, Herodíades, Joana, Marta, Cláudia Prócula, Lídia, Priscila (Prisca), a Samaritana. As escrituras revelam, assim, a presença de um elenco de “mulheres na Bíblia”. “Dramatis personae”, literalmente, “personagens do drama”, em latim. Inúmeros artistas se têm inspirado em algumas dessas mulheres, principalmente na mãe de Jesus, dentre outros, Gauguin, Pedro Américo, Rodolfo Amoedo, Rogen van der Weyden, os irmãos Van Eyck. A partir dos anos 50, entre nós já não prevalece a concepção de que lugar de mulher é na cozinha nem de que à mulher compete esquentar o umbigo no fogão e esfriá-lo no tanque lavando roupa. “Lava roupa todo dia, que agonia / na quebrada da soleira, que chovia… ” Mulheres se casavam quase exclusivamente para cuidar do marido e dos filhos… Amélia passou a ter vaidade, passou a ser mulher de verdade. Há décadas, a antiga TV Tupi de São Paulo já tinha programas como No Mundo Feminino. Desde então, surgem novos perfis alternativos na busca de identificação do universo feminino, do nome mulher. Principalmente da mulher esposa e mãe. Prendas domésticas era designação oficial da atividade das mulheres que, não exercendo profissão remunerada, se ocupavam do lar, avental todo sujo de ovo. Nasci em fazenda. Éramos treze irmãos. Naquele tempo, a profissão de atriz era suspeita. Graças à sua determinação e, em especial, com o advento da televisão, de atrizes malvistas, algumas mulheres passaram a atrizes famosas e cultuadas. Por trás dos bastidores da história, outras mulheres não deixam por menos. História é substantivo feminino. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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Meditação Contemplativa
mar02

Meditação Contemplativa

 Meditação Contemplativa Por Antônio de Oliveira Moro num apartamento que dá vista para o sol nascente. De manhãzinha, pode-se contemplar o sol nascer belo, em Belo Horizonte. Momento ideal para uma reflexão matinal, numa oração contemplativa. Seja aceito pelo Senhor, perante a sua face, o sussurro do meu coração contrito. Bem-aventurados os simples e puros de coração porque deles é o amanhecer. Meditação só de olhar, sem nunca se cansar de olhar, toda manhã, manhã feminina, colírio para os olhos. Energia, consolação, alívio, refresco, refrigério para a alma. Aroma inebriante de sol nascente. Paz!… Como entoa o salmista, salmo 19, para os que creem, os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. A noite se despede e, na linguagem da natureza, sem dizer palavras. As estrelas se apagam. A lua se recolhe. Alvorecer sem alarde, sem alvoroço. A não ser da passarada que anuncia a chegada do rei Sol, de mansinho, e mostra a sua luz. Luz que é voz. Não são discursos nem dizeres. Quem tem olhos de ver veja; quem tem ouvidos de ouvir ouça. Ao anoitecer, o sol se esconde discretamente. Milagre da natureza. De fulgor falante para o silêncio da noite. É o sol poente… À noite, o astro-rei, reza a crença, descansa debaixo de sua tenda no mar. Todo dia, o sol desaparece. Qual Fênix, no dia seguinte renasce, mas não das cinzas. Desponta do seio prenhe da lua. Reaparece. Emerge do horizonte no brilho de um novo dia oriental, difundindo luz, claridade, calor e alegria. Sol a pino, céu puríssimo. Corredor veloz, do leste passa pelo seu zênite rumo ao oeste, Saber ler, ouvir a natureza e com ela dialogar, como Francisco de Assis, ilumina os olhos, inunda o coração. É música para os ouvidos. Êxtase mais desejável que o ouro, sim, mais doce que o mel e o licor dos favos. O céu, os astros, o mar, o afinado coro dos dias e das noites entoam imenso, misterioso cântico de louvor ao Criador. Bons, belos, bem-aventurados amanheceres! O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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Sempre Ele
fev23

Sempre Ele

 Sempre Ele Por Antônio de Oliveira Machado de Assis é mais conhecido e citado como romancista que como cronista. No entanto, ele foi também exímio cronista. Nestas reflexões, algumas dicas machadianas. Certa ocasião, Machado recorreu à figura de “uma gaiola de papagaio, aberta por todos os lados, sem aparência mesmo de gaiola, mas onde a ave fica presa por uma corrente que lhe vem do pé ao poleiro. Quebre-se a corrente, de uma vez por todas, e dê-se a liberdade ao pobre animal”. No fundo, a questão é: “aut libertas, aut nihil”. Cláudio Manoel da Costa havia proposto fosse esse o lema da Inconfidência Mineira: Ou liberdade ou nada! Deus criou o homem livre e assim o respeita, quer essa criatura opte pelo caminho da austeridade ou pelo caminhão da corrupção. Liberdade pela metade não seria liberdade, dentro dos limites democráticos. Seria como estrumar um pit bull, assanhando-o contra o assaltante, porém sem lhe soltar a corrente tilintante. O que o cão de guarda pode fazer, numa situação dessas, é apenas saltar de cá para lá, ladrando. Como uma reflexão puxa outra, Machado nos leva a questionar, noutra crônica, a linguagem dos políticos: “Há, porém, na ordem política umas tais retortas e alambiques onde se apuram as palavras e as ideias, de modo que as tornam inteiramente diversas daquilo que significam na ordem comum”. Isto é, discurso esotérico, impenetrável, enigmático, hermeticamente fechado. Será que é para o povo não entender mesmo? Um mundo à parte, de eleitos autoeleitos para a impunidade. Pudera!… Foro privilegiado. “Florão da América”, nosso país tinha tudo para ser o ornamento que daria beleza à América. De qualquer forma, começa a mostrar a própria cara, que precisa ser lavada a jacto e de um jacto. Faça-se uma varredura, com água e sabão, detergente e escovão, em nossas instituições esclerosadas por logísticas injustas, cujos ocupantes não estão nem aí para denúncias sérias e graves. Tudo não passa de meras “ilações” infundadas! O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia...

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Quanto Vale Uma Pisada?…
fev14

Quanto Vale Uma Pisada?…

 Quanto Vale Uma Pisada?… Por Antônio de Oliveira Pegada ou pisada… Dá na mesma? Enfim, quanto vale uma pisada? Para começo de conversa, depende. Há quem pise um tapete vermelho como há quem pise abrolhos. Portanto, é preciso abrir os olhos. Uma pisada, num ônibus superlotado, pode custar um grito ou apenas um Ai!… E quanto alguém daria pela marca de um pé descalço nas “yellow sands” da praia, antes, evidentemente, que as ondas a desfaçam? Aliás, esta é uma imagem profunda de como se vão as nossas marcas deixadas nas areias do tempo e não nas fundações sólidas, sobre a rocha, já esta uma imagem bíblica. Construções de classe mais abastada andam desmoronando por aí. Um rasto humano em geral não vale nada de nada. Pegada se diz do vestígio que o pé deixa no solo. Pegada é, pois, sinal, marca, pista, rasto, rastro. Pegada é também o lance em que o goleiro evita que a bola entre no gol, agarrando-a com as mãos. E não nos pés… Talvez nisso, nessa identidade de linguagem, o goleiro se identifique com as pegadas, nos pés, dos colegas de equipe. Antiga unidade de medida de comprimento, um pé equivale a 12 polegadas, ou seja, 33cm. Pisada corresponde também a andadura de cavalo. E tem a ver com ritmo, diapasão, andamento. Quando a dança está boa, nessa pisada a gente vai até o Sol raiar. Por vezes, as pegadas do ladrão fornecem a pista para esclarecer o roubo. Outras vezes, a pessoa, à semelhança de um pichador, faz questão de deixar a marca de seu calçado, hoje em dia em geral um tênis, no cimento fresco da calçada. Que nem um jogador de futebol. Ou artista de Hollywood. Chão de estrelas na Calçada da Fama… Eu, por mim, valorizo os pés de quem anda por aí fazendo o bem. “Pertransiit benefaciendo”, Ele passou fazendo o bem, segundo avaliação bíblica. Finalmente, que se faça o teste do pezinho em todos os bebês. É bom começar a vida com o pé direito, isto é, em condições de uma boa caminhada pela vida afora. Quanto ao valor de uma pisada… O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

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