PECADO SEM CULPA
maio23

PECADO SEM CULPA

 PECADO SEM CULPA Por Antônio de Oliveira “Quando eu, político eleito para representar o povo, deixo de declarar uma mansão ao imposto de renda, uma casinha modesta, aqui no bairro Paraíso Fiscal de Brasília, ou noutro lugar privilegiado, deixo de fazê-lo por um lapso. Meus advogados nem para me lembrarem desses detalhes. Ah! Esses… Além disso, receita é receita. O bolo vem depois dos ingredientes devidamente dosados, negociados e distribuídos leoninamente. Quem parte e reparte fica com a melhor parte. Todo o mundo sabe que leão é um animal selvagem. Não dá para facilitar. Prefiro nem chegar perto. Mantenho distância. Idiota de quem se deixa abocanhar. Minha vida é um livro aberto. É verdade que, às vezes, surge uma denúncia, denunciazinha, alguns milhões apenas, marolinha, mas tenho Deus por testemunha, é tudo intriga da oposição, ilações de uma imprensa mafiosa e denuncista, fascista, que prejulga, não prova nada. No mais, tanto escândalo neste país! Em pouco tempo um encobre o outro e deixa tudo empilhadinho na seção DP (Decurso de Prazo). Ninguém nunca provou minha ligação com traficantes nem com empresários suspeitos ou que eu tenha dinheiro no exterior. Também não sou muito de laranja, não distribuo nada para minha família, meus parentes que façam concurso. Minha fortuna, fruto do infortúnio de muitos? Não é bem assim. Inveja do empreendedorismo, meu e dos meus apaniguados. Disse e repito. Esqueçam o que eu escrevi. Pela direita, te locupletarás acintosamente. Esqueçam o que eu dizia. Era o contexto. A luta continua… Quem disse que não? Pela esquerda, te locupletarás aleivosamente. Pra que juntar tanto dinheiro? Perguntam alguns otários. Como é bobinho esse pessoal da ética. Até parece ONG ambientalista. Posso ser adepto da propina, mas rendo homenagens à transparência. Sigo à risca esse catecismo. Que até pode rimar com cinismo, mas estou longe disso. Conto com a indulgência suprema do foro privilegiado. Que me redime dos pecados.” O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

Read More
Ong ASPAC acolhendo vidas
maio09

Ong ASPAC acolhendo vidas

 Ong ASPAC acolhendo vidas Fiquei admirado com excelente trabalho da ASPAC em Belo horizonte. É um exemplo vivo de que, quando existe união, vontade, amor e solidariedade, é possível sim, promover qualidade de vida à um grande número de pessoas, transformando a sociedade e tornando o país melhor para se viver! Conheça a ASPAC. A Associação de Pais e Amigos do Centro de Reabilitação – ASPAC é uma instituição filantrópica, apolítica, que presta assistência clínica, psicológica, pedagógica, nutricional entre outras, para crianças, adolescentes, portadores de necessidades especiais e pessoas que se recuperam do envolvimento com drogas de Belo Horizonte. A idéia da construção da ASPAC surgiu em 2000 através da proprietária da Clínica de Reabilitação e Integração Social – CRIS, Cláudia La Badié. A Clínica CRIS atendia diversos portadores de necessidades especiais em diversas modalidades clínicas, no decorrer do tempo, a proprietária percebeu que muitas pessoas não dispunham de condições financeiras para arcar com os custos de um tratamento especializado. Daí surgiu a idéia da ASPAC que é fazer atendimentos clínicos às pessoas que não podem pagar um tratamento. O trabalho da ASPAC é muito interessante por ser multidisciplinar, pois as pessoas que são atendidas, não recebem atendimentos isolados, mas sim atendimentos que se complementam, como nutrição e psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional, dentre outras etc. Embora essa idéia tenha surgido antes, somente em 2001 que a ASPAC iniciou suas atividades, registrando-se como sociedade civil, com a razão social de “Associação de Pais e Amigos do Centro de Reabilitação” na região do bairro Planalto em Belo Horizonte. A ASPAC recebeu este nome por ser a vontade de pais, amigos e comunidade, para que todos tenham o direito de ser atendidos, independente da situação financeira. O principal desafio da fundação da ASPAC foi a ausência de verbas disponíveis para investimento em equipamentos e instalação física. Mas mesmo assim a ASPAC conseguiu se manter e atualmente atende 300 pessoas por mês.    MISSÃO Promover o bem estar para pessoas carentes, através de tratamento e acompanhamento clínico, buscando reintegrá-las à sociedade. VISÃO Se consolidar como uma associação atuante em Belo Horizonte e região metropolitana, prestando atendimento de excelência aos seus pacientes. VALORES Para a ASPAC, a valorização da vida e da saúde está em primeiro plano; Busca constante pelo resgate à dignidade humana, ajudando sempre o próximo; Valorização do ser humano, tratando o paciente de forma individual e humanizada; Trabalho com seriedade e respeito; Além de prestar um bom atendimento, a ASPAC também tem o intuito de levar alegria aos pacientes.    LOCALIZAÇÃO A ASPAC está localizada à rua Fernando Ferrari, nº 173, no bairro Planalto – Belo Horizonte/MG. OBJETIVOS Os objetivos...

Read More
S.O.S. GUARDA-CHUVA
maio09

S.O.S. GUARDA-CHUVA

 S.O.S. GUARDA-CHUVA Por Antônio de Oliveira Um guarda-chuva resguarda as pessoas da chuva ou do sol. No caso do sol, seria, propriamente: guarda-sol, para os homens; para as mulheres, sombrinha. Conhecido também como chapéu-de-chuva, chapéu-de-sol, chapéu, para-sol, para-chuva, umbela, barraca. O papagaio Zé Carioca é retratado carregando um guarda-chuva e é identificado com o malandro carioca, sempre se safando dos problemas com esperteza. Até debaixo do guarda-chuva aberto, como no filme “Cantando na chuva”, se pode dançar. Elis Regina “dança na corda bamba, de sombrinha”. Mary Poppins usa um guarda-chuva mágico como paraquedas. O extinto Banco Nacional era conhecido como o banco do guarda-chuva. Qualquer semelhança com o foro privilegiado não é mera coincidência. O povo, que está na chuva, é para molhar. No político resguardado pelo foro privilegiado, cujo nome está dizendo que é um privilégio, nem respinga. E aí, enquanto o povo senta e chora, ele deita e rola e, quando ameaçado, além da figura da prescrição, cria privilégios, novas salvaguardas, dando uma de inocente e repudiando qualquer denúncia como falsa, descabida, arbitrária, sem provas, meras ilações; denúncia não confiável, desvairada, infundada, retaliação. E então as defesas, todas, acessam a mesma tecla “S.O.S. guarda-chuva”. Tudo dentro da lei e dos intérpretes da lei. Durante muito tempo o Brasil foi considerado o maior país católico do mundo. Atualmente, carrega a pecha de um dos países mais corruptos. Triste, lamentável classificação! Costuma-se fazer distinção entre corruptor e corrupto. Mas, afinal, quem é o corruptor e quem é o corrupto? Em geral se denomina corruptor aquele propõe primeiro, quando na verdade o outro estava doido para ouvir a proposta e fazer sua contraproposta. Questão de ação e reação. Eva, que foi corrompida pela serpente, corrompeu Adão. Deu no que deu. Guarda-chuva tentador, mágico protetor da imunidade debaixo da inarredável barraca da impunidade. O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

Read More
Obstetra, parteira e doula: afinal, o que é parto normal?
abr23

Obstetra, parteira e doula: afinal, o que é parto normal?

 Obstetra, parteira e doula: afinal, o que é parto normal? Enquanto médica e funcionária pública, tenho acompanhado discussões acaloradas em defesa do parto normal. Casas de parto, parteiras, doulas e partos domiciliares são defendidos ardorosamente por muitos políticos, amparados por estatísticas “estarrecedoras” de partos cesáreos no Brasil. Virou moda o achincalhamento de médicos, especialmente dos obstetras que defendem o parto hospitalar, feito por médicos e não parteiras. Episiotomia virou sinônimo de tortura e o toque vaginal, para acompanhar a dilatação do colo do útero, virou assédio. Mas vem aí a pergunta que não quer calar: o que é parto normal? Normal é o que é comum, natural, mas se nos miramos na natureza, o normal é a fêmea ter seu parto sozinha, e se algo dá errado, morrem mãe e filhote. Sob essa ótica, interferir no parto não é normal, pois seria interferir com as leis da natureza, ou seja, com a seleção natural. Mas não queremos que nossos rebentos e nossas mães morram, não é? Por isso, médicos apaixonados pela vida resolveram interferir nessa equação, na tentativa de diminuir as perdas maternas e infantis. Ao longo dos séculos, depois de muitas mortes e pesquisas, elucidou-se muitas das causas de óbitos devidas aos partos. Uma coisa posso lhes garantir: todos querem o melhor para si e para seus filhos. Então, se o melhor for um parto assistido por um médico obstetra, num ambiente asséptico, com uma equipe pronta para interferir ao menor problema, todos vão querer isso, não é? A lógica me faz crer que sim, mas todo esse aparato — um centro obstétrico, uma equipe com médico obstetra, pediatra e enfermeira — é caro, muito caro. Além da diferença de salários entre um médico obstetra e uma parteira, formar um médico custa 6 anos em um curso de graduação e mais quatro em pós-graduação. Estender esses benefícios à população dilapida os cofres públicos. A brilhante solução encontrada pelos políticos não foi o uso racional dos recursos, mas o convencimento da população de que o parto domiciliar, feito por parteira é que é normal e é o melhor para ela. Vale tudo para conseguir essa proeza: enaltecer o trabalho das parteiras (parto humanizado) e difamar os obstetras, especialmente aqueles mais apaixonados pela sua profissão. Mas esses mesmos políticos vão procurar os melhores médicos obstetras para suas esposas e filhas, devidamente assistidas em um hospital particular, cercadas de tecnologia de ponta. É a assistência de primeira para cidadãos de primeira classe e assistência de segunda para cidadão de segunda classe. É claro que há médicos bons e ruins, e que há um exagero em partos cesáreas no Brasil, mas a...

Read More
Me Engana Qu’eu Gosto…
jan16

Me Engana Qu’eu Gosto…

 Me Engana Qu’eu Gosto… QU’EU GOSTO… Por Antônio de Oliveira Denúncias e respostas: Acusado de assalto, assessor parlamentar é preso. Nunca trabalhou com o deputado. Rodovia esburacada. Providências estão sendo tomadas. Falta remédio no SUS. Em breve será publicado o edital de licitação. Corrupção: A prestação de contas obedeceu à legislação vigente e foi devidamente aprovada pelos órgãos competentes. Fiquei surpreso. Nem conheço o delator, provavelmente um maluco, um sacripanta, um… e não tenho nada com isso. Acusações infundadas, levianas e sem provas evidentemente não merecem crédito. Não passam de ilações. Jogo baixo. Tudo mentira. Tudo não passa de uma farsa bem arquitetada. Intriga da oposição. Faltam provas. Sempre tive vida ilibada. Perseguição política. Conduta irrepreensível. Inflação: a culpa é da herança maldita, das elites, dos anos de chumbo, da classe média, do sistema, da estiagem prolongada, da crise internacional. Daí também: crise na saúde, na educação, nos transportes, nos presídios… Vamos diminuir os gastos públicos. Trabalhamos para o bem do Brasil e em benefício de todos os brasileiros. Vindo de Brasília: Aqui, neste espaço, deste planalto central, a política é a busca do melhor para o País. Para os descamisados, pobres e excluídos, trabalhadores, brasileiras e brasileiros, companheiras e companheiros, o partido de todos nós é o Brasil. O Brasil da Copa das Copas e das Olimpíadas. A partir do dia da faxina nacional contra a dengue, todos os órgãos públicos federais terão seus prédios e adjacências livres de qualquer água parada. Vocês, da televisão, podem voltar aqui e verão que tudo estará limpo… Para o Presidente, rebelião que matou 56 presos em Manaus foi um ‘acidente’. Afirma um secretário do governo federal sobre chacinas de presos: “Tinha que matar mais.” Governador diz que ‘não tinha nenhum santo’ entre os presos mortos. Solução insólita: criar mais um ministério… Palavras e atos identificam seus autores. Na hora… O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: sxc.hu...

Read More
Vaidades das Vaidades
dez09

Vaidades das Vaidades

 Vaidades das Vaidades Por Antônio de Oliveira Tentação do poder absolutista. O mundo atual vive dois grandes problemas: os ditadores, cruéis ou populistas, e a irracionalidade dos atentados. O Brasil não deixa por menos nem fica atrás. Podemos não sofrer ações terroristas, mas a violência assola o País, de Norte a Sul, enchendo baldes de sangue durante nossos telejornais. O país está afetado e infestado de políticos ambiciosos de ambição desmedida. O povo, desamparado. Burras cheias lá, saco cheio cá. Sustentamos sessões e mais sessões parlamentares para salvar, deles, os próprios mandatos e benefícios, imunidade, foro privilegiado, e outros privilégios. O grande esforço de trabalho deles é meramente salivante. Falas e mais falas, discursos e mais discursos, ora algumas pérolas de retórica, outras vezes ideias desvairadas e estapafúrdias. Mas o que prevalece são os sofismas. Falsidades bem articuladas com aparência de verdade. Para tudo cabe negativa ou justificativa. Pares julgando pares, aliados deste ou daquela digladiando-se para ver quem leva mais vantagem. Poder pelo poder. Nada de representação, senão de “autorrepresentação”. Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade, proclama o Eclesiastes. Vaidade é amontoar riquezas perecíveis e nelas pôr a sua confiança e a sua razão de viver. Vaidade é também ambicionar honra e desejar posições de destaque. Essas advertências constam do jurássico, ainda atual, Imitação de Cristo. Filósofo e prosador grego, Plutarco escreveu Vidas Paralelas. Dessa obra originou-se o termo varão de Plutarco, significando homem probo, com uma extensa folha de serviços prestados à Pátria. Isso, dito há tanto tempo, ainda diz alguma coisa nos dias de hoje? Estamos em busca de varões de Plutarco na nossa vida pública, por sinal, uma área minada, uma represa de águas turvas, apodrecidas. Moralizar é preciso. Está difícil, mas a esperança é a última que morre nos corredores de nossos postos de saúde e hospitais públicos.   O professor Antônio de Oliveira, cronista fascinante, é Mestre em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Licenciado em Letras e em Estudos Sociais pela Universidade de Itaúna; em Pedagogia e em Filosofia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de São João del Rei. Estágio Pedagógico na França. Contato: antonioliveira2011@live.com Imagem: wikipedia...

Read More